Em lágrimas, celebro esta massa pesada que carrego. Este corpo que, apesar de tudo, não noticia a própria transformação, mas que, a cada milésimo de segundo, cresce, gera, diminui e se deteriora.

A esta matéria — a qual reconheço ser meu único meio e minha prisão — peço para que desta vez o tempo não lhe seja tão curto.

Preciso conhecer tuas palavras para continuar a seguir confusamente na busca por um significado. Extraindo de qualquer efemeridade uma tentativa de tradução do mundo ou de mim mesma.

No vento encontro frestas e solto recados. Conhecerei de teus modos, beberei de tua vida e, muito além de qualquer esforço, eu apenas passarei.

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Fora do entendimento me situo. E ainda que as amarras estejam condicionados por traumas, angústias ou paranóia, reconheço a importância de sentir. A frieza do vento, a sequidão da memória e a insistência em permanecer ficar. Sem razão vivendo algumas jornadas. Será que algo já nasce morto ou a vida vai matando?

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